quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Doses de estoicismo

Aprendi há muito tempo que por trás da timidez que me paralisava e impedia correr atrás dos meus sonhos estava um sentimento angustiante de não estar a própria altura do ideal para tal. Síndrome de impostora. Hoje, não me levo tão a sério, só vou. Ás vezes, "a gente sofre mais na imaginação do que na realidade”. 

Quando me sinto perdida, que preciso recuperar a rota, consulto um caderno onde costumo anotar mantras que fazem sentido pra mim. Segue abaixo alguns deles: 

Veja as coisas como são 
Aceite tudo que acontece ( principalmente aquelas que fogem ao seu controle) 
Tenha propósitos claros 
Viva o presente 
Atenha-se ao essencial 
Seja sincera 
Ame o próximo 
Seja justa 
Preserve o seu espírito 
Não permita que o comportamento alheio determine o seu 
Não tema a morte, mas lembre-se dela as fazer escolhas 
JAMAIS associar minha existência como mulher a uma vida de mártire 


É importante tomar posse da própria existência, TER auto-responsabilização.

De repente 30

Depois de mais de cinco anos, em um momento de tédio, relembrei da existência desse blog. 
Reler sobre mim, reviver momentos, angústias e sonhos, foi uma experiência mágica, quase transcendental. Sem o apoio desses textos preciosos, não lembraria nem da metade, quem dirá nessa riqueza de detalhes. 
 
Li tudo num misto de nostalgia, divertimento, admiração e compaixão. Fui tantas Alines, todas nasceram e morreram no tempo delas, conforme cada novo desejo ou necessidade. Sou eternamente grata a cada uma delas. Consigo acolhê-las com toda ternura do mundo na plena consciência de que também, essa minha versão de agora, é passageira. A vida bem vivida felizmente é isso: movimento.
  
Aos 30 anos, conquistei muitas coisas, muitas das quais há 11 anos nem ousaria sonhar. Mas a que mais me orgulho, sem sombra de dúvida, foi minha evolução interior. Continuo refletindo sobre a vida com o amparo das palavras, mas norteada pela Filosofia. Constantemente busco entender o que eu sou, onde eu estou, quais são os meus valores e onde quero estar. Todo começo do ano faço metas e me esforço para alcançá-las. Graças a esse hábito constante de autorreflexão com ação, tenho mais clareza sobre mim, o que me permite ser uma mulher mais confiante, segura, autêntica e com uma potência enorme de agir

Sou fotógrafa, tenho um estúdio no centro da cidade. Ainda moro em Vilhena, Rondônia, ao lado do meu companheiro, Allan, nossa filha Luna e uma beagle chamada Bibia. Todos temos uma saúde boa, uma vida financeira estável, uma casa com um quintal cheio de árvores, nossa filha estuda na melhor escola da cidade, e viajamos pelo menos uma vez ao ano.  

O Allan é um marido, pai e um ser humano maravilhoso, me faz rir todo santo dia. Somos muito parceiros, temos uma comunicação e química incrível que surpreendentemente só melhora com o passar dos anos. Ele é o meu maior apoiador, meu porto seguro, o amor da minha vida. Ter apostado nele lá atrás foi a melhor escolha que fiz.

Nossa filha Luna tem 7 aninhos e é uma menina encantadora. É difícil me conter ao falar sobre ela. Somos completamente apaixonados! Ela é alta, magrinha, têm cabelos castanhos claros até o ombro com franjinha, herdou meus olhos e as orelhinhas de abano do pai. Já sabe ler, é uma das alunas mais inteligentes da sala, sua cor favorita é amarelo, ama jogar Avatar Word e é fã número 1 de Moana. É muito carinhosa, me abraça e diz que me ama várias vezes ao dia, e tem um senso de humor extraordinário. 
Já quis ser palhaça de circo, pedreira, veterinária, pintora, dona de cinema, produtora de animes no Japão, e hoje em dia quer ser médica ou cantora. Gosta de quase tudo que nós gostamos, e já tem um diário onde escreve que ama um tal de Brian, da sala dela. Enche de coração ao redor toda vez que escreve o nome dele.

Ambos definitivamente são as bases da minha vida. 
“Só podemos dizer que estamos vivos naqueles momentos em que os nossos corações estão conscientes dos nossos tesouros”

Decidi fazer essa recapitulação sobre a minha jornada para também poder consultar anos depois mais uma faceta do que eu fui e vivi. Esse blog, espero que resista ao tempo, espero que minha filha e quem sabe pessoas além dela um dia tenham acesso as minhas memórias. 

domingo, 17 de março de 2019

Profissão

Era final de 2011. Faltavam poucas semanas para o vestibular e eu ainda não sabia o que queria ser 'para o resto da minha vida'. A mãe de uma amiga disse que eu devia fazer jornalismo porque gostava de ler e escrevia bem. Achei uma boa ideia e fiz. Eu gosto ainda e acho que faz sentido pra mim até hoje no modo em que enxergo a vida, mas o mercado do jornalismo é que não faz muito sentido pra mim, principalmente nas áreas que atuei. Eram funções que não me traziam propósito.
Em abril de 2019, irei mudar a rota. Vou fazer o curso de designer de interiores. O Allan diz que levo jeito pra coisa. Eu gosto de decoração e arquitetura. Mas será que dessa vez irei sossegar?

Conflitos

Dona de casa, dependente financeiramente do companheiro, com rosto branco que não sabe o que é sol além das corridas matinais no bairro aos fones de ouvido.
Ouço minha voz e leio discursos feministas, mas quando vejo que não trabalho fora, me questiono e me sinto inferior e hipócrita. 
Amo o tempo livre que tenho para ver a minha filha crescer. Sinto privilégiada por ser a primeira a ouvir aquela palavrinha nova ou entender seu linguajar imaturo. Gosto da paz dos meus dias, de ter a possibilidade de assistir um filme numa terça-feira de manhã, ou de fazer comidas para eles. Quero que a Luna fale que não existe biscoito de polvilho mais gostoso no mundo do que o meu, assim como falo do bolo de chocolate da minha mãe.
Gosto do tempo que tenho para ler e refletir com calma. Gosto de descansar a cabeça não só a noite no travesseiro, mas nas horas vagas.
Amo ser mãe e uma referência presente na vida da minha filha, mas quero também ter participação do mundo externo. 

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Nova trilha

São quase dois meses vivendo sem o status 'empregada'. Pedi demissão em dezembro de 2017 de um site renomado para cuidar da minha bebê. E como estou? Muito feliz. Sinto que não me limito mais, que estou vivendo mais. Faço o que eu quero, no momento que eu quero. As únicas pessoas que presto contas pelas minhas ações agora são aquelas que estão ligadas a mim porque eu me importo com elas e não porque pagam meu salário. Isso é tão bom, tão libertador! Hoje, se eu faço algo para alguém, talvez a única moeda de troca que espero é uma pura e singela: afeição.

E não é assim que deveria ser a nossa vida?

Nesse pouco tempo em casa, já me aventurei pelos caminhos óbvios: cozinheira, lavadeira e passadeira. Mas também por aqueles que tinha vontade, mas que, dessa vez, não me auto-sabotei e fui lá e fiz. Transformei um caixote de feira em um móvel, fiz um kit higiene de cimento para o banheiro, aprendi a editar minhas fotos no Lightroom, já vou pro quarto livro lido esse ano, atualizei meu blog, e estou criando o cartão de visita do Allan no Photoshop.

Percebi nesse pouco tempo como meu exterior se modificou. Estou mais calma, mais racional, mais eu mesma. Sempre fui apaixonada por conhecimento, mas havia me esquecido disso nos últimos três anos.

Eu precisava desacelerar e refletir sobre o que eu estava fazendo com a minha vida. E as perguntas não terminaram. Tenho muito o que pensar, mudar, ouvir e aprender. 

Escrever

'Temos que aceitar que, entre o que sentimos e o que dizemos que sentimos, há fronteira de imprecisão oceânica'. Encontrei essa frase no livro que estou lendo atualmente chamado 'Em Busca de Nós Mesmos' e me identifiquei bastante.

Realmente é muito difícil mostrar para a outra pessoa o que se passa dentro da gente. Tenho mais facilidade em escrever sobre os meus sentimentos do que falar deles para alguém e, mesmo assim, não tenho certeza se consigo passar da maneira que queria.

É pedir demais, talvez, esperar que a outra pessoa sinta perfeitamente o que você sente apenas com palavras. Ultrapassa nossas limitações. Cada ser humano tem diferentes percepções, experiências e expectativas. Depende desses e outro fatores para que haja o alinhamento total.

O meu conselho para nós que dedicamos a escrita é continuar pensando no receptor, mas não tanto. Falo isso sobretudo pra mim mesma. 
Edições são importantes, mas têm defeitos que podem ser apenas questões de ponto de vista. 


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

9 meses

Eu ainda tenho um bebezinho em casa? Ás vezes faço essa pergunta brincando porque ela está tão evoluída. Fala 'água', chama 'mama', 'papa', está começando a querer se levantar, está comendo razoavelmente bem comida normal (lide arroz e feijão), fica observando tudo ao redor, ama ficar rasgando papel e tomar banho na banheira.
Ela ainda não sabe engatinhar. Fica se arrastando, principalmente rodando, com o bumbum. Dizem que alguns começam assim.
Não está curtindo tanto 'Mundo Bita' como antes, mas duas, três músicas ainda conseguem prender a atenção dela.
O que ela está apaixonada no momento é por domino! Comprei o jogo há uns dois meses e praticamente virou brinquedo dela. Ela pega a caixinha e gosta de derrubar todas as peças. Ela faz isso com a caixa de papelão também onde guardamos outros brinquedos.
É tão bom ficar assim pertinho dela, estou muito apegada. O sentimento é muito intenso, um amor inédito. Tem hora que nem acredito na vida que tenho.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

7 meses

Ela é tão cativante, esperta e alegre. A cada dia que passa, fico mais apaixonada. Agora, já está se sentando sem apoio, dá risada enquanto assiste Mundo Bita, come bem comida salgada e percebi que quando está muito radiante comigo, me dá beijos. É, ela abre o bocão em direção ao meu rosto e 'morde'. Tão lindinha!

Universo do meu coração

Você sabe que ama aquela pessoa quando não guarda segredos. Não se deixa intimidar. Fala o que acha sem medo de ser rotulada. Sorri sem controle. Não fica rígida. Não se sente sozinha. Que sabe que o melhor sono é quando ela está por perto. Que te respeita. Te faz lembrar o quanto é forte e linda. O quanto está viva e pronta para encarar o que quiser.

Expressar sentimentos

Não falo muito "eu te amo" porque depois de um tempo, essas palavrinhas caem na comodidade (para quem fala) e parecem limitadas (para quem as ouve).

Em certas circunstâncias, se a gente sente, mas não sabe dizer o quê, é como se não sentisse. Não gera mudanças.

"Tenho orgulho de você", "Quero só te abraçar e sentir seu cheiro", "Como adoro seu café", "Você é a mulher da minha vida", "Quero viajar com você, só nós dois", "Não vejo a hora de te ver", "Me beija", "Você é muito mais do que eu imaginei", "Te admiro demais", "Quer namorar comigo", "Sinto a sua falta"...

Já me arrepiei todinha ouvindo coisas assim. Parece que nos perfura. Nos tira do eixo. Acerta em cheio nosso coração. Não só o "eu te amo" é poderoso. As palavras são.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Maternidade real

Faltam apenas um dia para a Luna completar dois meses de vida fora da barriga. Assim que ela nasceu, foi tudo tão surreal. Quando ficava sozinha para amamentá-la, não me continha e chorava de felicidade. Todos os meu temores ficaram para trás. Eu tinha acabado de dar a luz a uma garotinha linda e com saúde! Aquilo que eu mais pedi para Deus!

Mas a partir da segunda semana, a alegria foi esmagada por uma correnteza de problemas. Meus seios começaram a doer, meu corpo a ficar febril. O médico disse que eu estava com mastite -  inflamação por causa do acúmulo de leite- e me orientou a fazer massagem antes de cada mamada.

Minha vida se tornou uma rotina difícil de explicar. Meus dias eram longos e ao mesmo tempo muito curtos. As horas passavam e não passavam. Depois de passar duas horas amamentando a Luna, eu sentava em uma cadeira e tirava leite por mais duas horas para não empedrarem. Quando enfim conseguia encher um potinho de leite, ia para o banheiro, tomava uma ducha e deitava na cama. Mal encostava a cabeça no travesseiro e a neném acordava. Daí começava tudo de novo: dar de mama, tirar leite, banho, dar de mamar, tirar leite, banho...Eu não conseguia descansar.

Toda vez que chegava a hora de tirar o leite, eu chorava. Mesmo usando a maquininha elétrica, demorava para encher o potinho e eu isso me deixa exausta fisicamente e psicologicamente.

E os problemas só aumentavam. Quando chegamos na terceira semana, minha filha passou a dormir pouco durante o dia (meia-hora, no máximo). Ela só chorava. Ficava no meu colo o dia todo e nunca quietinha. Só se calava quando ia mamar ou quando dormia.

Achávamos que era cólica e fui radical na minha alimentação. Cortei tudo que havia lido que poderia fazer mal a ela, até mesmo alho e cebola, mas não adiantou nada. As supostas cólicas continuaram e aquele choro silencioso, onde o bebê abre a boca, fica com o rostinho todo vermelho e demorava para sair o som? Ela chorava assim o tempo todo!

A noite, ela conseguia dormir bem, mas eu não. Acordava na madrugada com a blusa toda encharcada e com os peitos muito duros. Depois de tirar leite, tomava banho e voltava a dormir, mas não por muito tempo, pois a neném logo acordava. Nesse período, tive outra mastite...

Não sei como, mas consegui chegar ao segundo mês. Na volta ao pediatra, o médico pesou a Luna e disse que ela não estava engordando o suficiente e que teríamos que complementar a alimentação dela com leite artificial.

Fiquei muito triste e não saia da minha cabeça que aqueles choros incessantes não era de cólica, e sim fome. Passamos a dar Aptamil para ela depois de dar o peito. Na primeira vez que demos, deparamos com uma Luna que nunca havíamos visto: acordada com o rosto sereno. Era fome mesmo, percebi. Aquilo me desmoronou! Me senti a pior mãe do mundo...

A Luna parou com as crises de choro, porém, pegou sapinho na boca e eu nos mamilos. Apesar de algumas crianças diminuírem o apetite quando estão com candidíase oral, isso não aconteceu com ela, ufa. Se não fosse pelos pontinhos brancos na boca, ninguém desconfiaria que estava com algum problema.

Já eu, passei a sentir dores muito fortes no seio durante as mamadas. O fungo não deixava cicatrizar as fissuras que surgiam. E a aparência dos meus peitos então... Irreconhecíveis! Todo avermelhado, sensível, cheio de feridas e bolinhas. Desconfiei na hora que era sapinho, mas precisei ir em três médicos até confirmar.

Após ser diagnosticada, passei a usar um remédio líquido nos mamilos. Tinha também que dar banho de sol neles duas vezes ao dia e deixá-los o máximo de tempo expostos para que não ficassem úmidos. Ou seja, além de cuidar da neném, tirar leite, cuidar da cicatrização da minha cirurgia (eu tinha que tomar três banhos ao dia e passar álcool e spray nela), agora eu precisava cuidar também dos meus seios.

Que horas eu descansava? Se antes era alguns minutos, agora nem isso eu tinha...

O que aconteceu em seguida foi o esperado: depressão pós-parto. Fiquei desmotivada em dar o peito e passei apenas a alimentar a neném com o leite que eu tirava na bombinha, além do artificial. Chorava muito. Todo dia eu chorava.

Quando o Allan voltou a trabalhar, passei a cuidar da Luna sozinha. Foi aí que a bolha explodiu. 
Minha ginecologista percebeu meu estado e alertou o Allan que eu poderia estar com depressão. Conversamos e relatei a ele que não suportava mais tirar leite da bombinha e também na possibilidade de voltar a amamentar (tinha medo de pegar novamente sapinho no peito, pois o fungo continuava firme e forte na boquinha da Luna).

Ele ouviu e disse que era uma decisão minha. Eu não queria que ele falasse aquilo. Queria que me confortasse e dissesse que, se era para eu ficar bem, ele apoiaria. Que a decisão fosse nossa. Fiquei mais triste ainda, me senti mais sozinha do que nunca, mas eu não poderia voltar para aquele pesadelo. Estava além das minhas capacidades...

Foi uma fase muito difícil. Tudo isso me assombrou por várias semanas. Não tive vontade de contar a ninguém que eu deixei de amamentar por "vontade própria". Tinha medo de ser julgada. A gente só vê mães postando fotos amamentando e dizendo com a boca cheia que a alimentação do filho é exclusiva e como isso se trata de um ato de amor... Me sentia derrotada. Me questionava várias vezes o porquê de eu não ser uma mãe "tão boa" como elas eram.

Mas tudo isso passou. Hoje, tenho certeza, que fiz a melhor escolha para mim e para minha filha, pois passei a tempo de descansar e psicológico para cuidar bem dela.

Ser mãe voltou a ser prazeroso para mim desde então. Não da maneira sublime como na primeira semana, e muito menos o tormento das outras. Continuo tendo dores nas costas todo santo dia por ficar com ela no colo, continuo não tendo tempo para tomar um banho com tranquilidade ou comer mastigando no tempo adequado, meus cabelos estão secos por falta de cuidados, estou enorme de gorda... No entanto, sou capaz de lidar com isso. Está dentro das minhas limitações.

Percebi que não preciso que alguém me diga se eu sou uma boa mãe ou não. Tenho consciência disso toda toda vez que minha filha sorri pra mim. O sorriso banguela mais lindo desse mundo!

Para você que talvez esteja passando por momentos parecidos, força! Siga o seu coração! Dane-se o mundo. Cuide do seu ninho da maneira que achar melhor. 

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Algumas linhas sobre meu trabalho

Quando entrei no veículo de comunicação em que eu trabalho, a coisa mais difícil foi me adaptar e pegar a linha editorial do site. Depois de meses pensando em desistir, indo e voltando do serviço desanimada, finalmente entrei nos trilhos e hoje, mal me lembro dessa fase problemática.

Gosto muito do que faço, das pessoas com quem trabalho e tenho dificuldades de me imaginar em outra profissão. Porém, não descarto a possibilidade de sair de lá.

Meu salário é vergonhoso e já deixaram claro em mais de uma oportunidade que não há perspectiva de aumento. Sinceramente, se não fosse pelo Allan eu não conseguiria sobreviver com o que ganho.

O pior é que o lugar onde eu trabalho é melhor lugar da cidade. Nos outros veículos, os direitos trabalhistas são extremamente desrespeitados. Conheci uma menina que trabalhava em troca de roupas...

Não sei o que fazer quanto a isso. Pode ser que durante os meses de licença em que estarei em casa  consiga pensar em uma alternativa.

terça-feira, 2 de maio de 2017

5 anos depois

"Cresci numa cidade pequena
E quando a chuva caía
Eu ficava na minha janela
Sonhando com o que poderia ser
E se eu terminaria feliz"


Faz cinco anos desde que sai da casa dos meus pais. Parece pouco tempo e, ainda assim, uma eternidade. Não tem um dia que eu não pense naquela época, nos meus pais, na minha irmã, nos meus avós, e não sinta saudades... Minha mãe estava certa quando dizia para eu não ter pressa de crescer. A melhor fase da vida, sem dúvidas, é quando você é criança.

Aos 17 anos, sai do aconchego, das coisas que me eram familiares, e fui para a cidade grande estudar. Morei com uma amiga e juntas aprendemos a caminhar com as próprias pernas. Quatro anos depois, quando terminei a graduação, fui para outro estado bem longe das minhas raízes e de rostos conhecidos. Não me arrependo das minhas escolhas. Passei a dar mais valor nas coisas que eu tinha e lutar pelas que ainda não havia alcançado.

Como antes, não sei ainda o que o futuro me reserva e continuo olhando para a janela em dias chuvosos pensando nele. Se eu sou feliz depois desses cinco anos fora do ninho? Sim, porque mesmo quando estou trilhando na escuridão, sinto a mão da minha família comigo e atravesso sorrindo.

domingo, 16 de abril de 2017

Ansiedade

É de conhecimento universal que grávida tem muito sono, mais do que uma pessoa comum. Durante meus sete meses de gestação, dormi umas 13h por dia. Sério. Isso realmente acontecia.

Mas nesse oitavo mês, estou tão ansiosa pelo nascimento da neném que mal consigo relaxar. Essa noite, por exemplo, tive três sonhos, cada um com uma versão de como seria o dia do meu parto. Os dois primeiros foi um pesadelo e mesmo o terceiro, onde tudo dá certo no final, foi uma tortura, pois pareceu muito real e isso me assustou muito.

Nesse finzinho de gestação, sinto um medo danado de que algo dê errado, principalmente por negligência minha. Quero que chegue logo o dia em que a Luna estará em meus braços. Eu pegando suas mãozinhas e pezinhos sem que exista uma barreira entre nós.

Amo tanto você, filha, que tenho medo de te perder antes mesmo de te conhecer.

sábado, 1 de abril de 2017

Três anos




Depois que conheci você, ficou claro dizer o tipo de homem que quero ao meu lado.

Engraçado, que tira pelo menos uns dez sorrisos de mim por dia. Atencioso, que consegue perceber facilmente qualquer sinal de tristeza que aparecer em meu rosto. Inteligente, a ponto de ser tão fácil conversar com ele sobre tudo que acabo esquecendo que também existem outras pessoas no mundo. Amoroso, que me toca tanto que não consigo mais distinguir minha pele da dele. Intenso, que diz coisas como "eu faria ou aprenderia qualquer coisa para ver você bem". Protetor, que me pergunta mil vezes se estou usando cinto de segurança no trabalho e coisas do tipo. Justo, que sabe ouvir e admitir quando está errado. Bondoso, que tem o coração imenso e se solidariza com o sofrimento das pessoas. Lindo, com olhinhos e dentinhos pequenos. E, por último, precisa ter dois carocinhos  de nascença atrás das orelhas, uma marca no braço direito idêntica a minha e ter a mania bizarra de morder minhas bochechas e o hábito fofo de tocar na minha perna enquanto dirige.

Você percebe que eu parei de procurar esse cara porque já o encontrei? 

Feliz três anos de namoro, meu amor! Sou a mulher mais sortuda desse planeta por ter você!

terça-feira, 7 de março de 2017

Morar em Vilhena

Fatos interessantes sobre minha cidade:

- O clima é fantástico! Sempre está fresquinho! Mas é um município atípico, pois, a maioria das cidades do estado, são um forno
- Os restaurantes são bem bacanas e todo cardápio tem peixe
- As ruas não são bem sinalizadas. Raramente você vai ver um quebra molas pintado de amarelo
- Tem caldos (algo que nunca vi em SP. Caldo é tipo uma sopa que eles comem com pão)
- Comprar pela internet, na maioria das vezes, não compensa, pois o frete sai muito caro
- A cidade tem quase 100 mil habitantes e oferece diversas oportunidade de emprego. A força da economia está na soja. Os maiores produtores rurais do estado estão aqui
- Para quem é empreendedor, tem mercado para vários nichos
- Saúde pública e particular são bem precárias (Para se ter uma noção, falta ambulância. O Corpo de Bombeiros é que leva os moradores para o hospital)
- Muita gente pratica esporte e anda de bike
- Tem pouquíssimas atrações culturais e não tem pontos turísticos
- Acho que é o estado com mais evangélicos do país
- Muitas ruas da cidade não são asfaltadas
- Ainda sobre o clima, chove metade do ano e a outra metade não.
- O único shopping que tem é tão pequeno quanto uma galeria.
- Custo de vida é alto (comida, moradia, gasolina, roupas...)
- Tem aeroporto

sábado, 4 de março de 2017

"São os hormônios!" Será?

Estou tão sensível nos últimos meses. São raras as vezes que consigo colocar a razão acima das emoções e me concentrar em algo. Por exemplo. No serviço eu percebo que não tenho o mesmo pique e foco de antes. Meu ritmo diminuiu. Minha média de matéria eram três por dia. Hoje, quando faço duas, fico contente. E os textos, meu Deus! Preciso ler mais de três vezes e, mesmo assim, deixo passar erros bobos.
No meu relacionamento, falta filtro. Falo sem pensar, e no meio de uma frase penso "porque eu falei sobre isso, afinal ? Não preciso compartilhar coisas tão banais com ele. Se fossem interessantes, pelo menos".
Minha rotina em casa está tão diferente também. Chego do trabalho, arrumo a cama, a louça, almoço, durmo, tomo o café da tarde assistindo algum vlog, arrumo a casa e dou atenção para o Allan quando ele chega do trabalho. Não tenho interesse em mais nada. Antes gostava tanto de aprender. Via documentários, lia livros de assuntos variados, fazia pesquisas na internet sobre história e filmes, escrevia com mais frequência no blog! Hoje, quando ligo o notebook, é para ver a caixa de entrada do e-mail, o G1, sites locais e coisas para a Luna (sim, esse é o nome que escolhemos para a nossa neném ^^ ). 
Sendo totalmente sincera, a única coisa que estou amando nessa fase é a gestação. Ver minha barriga crescer a cada dia, acordar com os chutes dela, sentir os movimentos na minha barriga ficarem mais intensos quando coloco música para ela ouvir ou quando como frutas... Como isso me deixa encantada e me faz feliz! São os melhores momentos dos meus dias, com certeza! Já a Aline em outros papéis sociais, está sendo uma decepção... 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

13/01

Sinto falta daquele abraço que parece que sem eu, você não poderia sobreviver. Sei que é um erro não gostar tanto do presente. Às vezes penso que é imaturidade da minha parte, afinal, muita coisa mudou e, consequentemente, mudamos também. Mas isso não quer dizer que o amor diminuiu, certo?

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Primeira vez que te senti

Meu bebezinho, dia 18 de novembro consegui sentir seus movimentos duas vezes. A primeira foi pela manhã durante o serviço. Mamãe ficou com vergonha de colocar a mão na barriga na frente de todo mundo na redação para comprovar se realmente havia sido você. Só que quando cheguei em casa na hora do almoço, você me deu outra oportunidade. Estava lavando a louça quando senti o movimento de uma de suas inúmeras cambalhotas. Mamãe ficou tão feliz e correu para contar para o papai. Com a mão na minha barriguinha, ele também te sentiu.
Foi o primeiro contato da nossa família. Obrigada por estar aqui, já amo você!

Situações desagradáveis

Sofrer preconceito por ser mãe aos 22 anos, por ter um namorado ao invés de um marido, por  outros lugares do corpo além da barriga estarem crescendo, por não cuidar da aparência como antes, por não ter o mesmo emocional...