terça-feira, 4 de julho de 2017

O que eu aprendi sendo mãe - Parte 1

Cuidados com o peito:
Umidade
Evite usar conchas e absorventes o dia inteiro. Os mamilos precisam respirar e isso é muito sério. Quando comecei a amamentar, eu tinha lido sobre isso, mas não dei importância. Por consequência tive candidíase em ambos os seios. Meus peitos doía muito na hora de amamentar porque as fissuras que surgiam não cicatrizavam devido ao fungo.

O pior é que o sapinho passou do meio peito para a boca da minha bebê. Fui em mais de um médico até descobrirem que não era pega errada que estava causando aquilo e sim um fungo. Daí, demorou quase dois meses para desaparecer.  Durante esse período, tem crianças que até perde o apetite por causa da dor do sapinho. Por sorte, a minha não deixou de mamar bem.

Sei que não dá para viver com a blusa encharcada (como sei!), então, meu conselho é testar o máximo de marcas de absorventes que você conseguir até encontrar aquela que deixa seus peitos menos úmidos. Ouvi falar muito bem dos da marca Lansinoh, mas na minha cidade não tinha. Então, o que funcionou melhor pra mim dentro das minhas opções foi os da marca Cremer. 

Já as conchas, abandonei de vez. Mesmo com aqueles furos para entrar ar, acredite, é uma furada! Elas deixam os seios MUITO úmidos. Perfeito para a proliferação de um fungo.

Outra dica é tomar banho de sol duas vez ao dia, nem que seja por 10 minutinhos. Quantos mais secos seus peitos estiverem, melhor.

Pode parecer neura, mas não é. Se tivesse feito tudo isso desde o início, minha experiência com a amamentação teria sido muito melhor.

Obs: Após ter candidíase, usei nistatina líquida nos mamilos e uma pomada chamada Trok. Minha médica disse que não é necessário parar de amamentar, mas eu preferi tirar o leite com a bombinha para acelerar o processo de cura. Em cinco dias usando nistatina, meus peitos voltaram 97% ao normal. Depois, continuei o tratamento passando apenas a pomada porque era mas prático.

Já na bebê, como disse acima, demorou demorou quase dois meses para sarar. Usei cerca de 28 dias nistatina da marca Neo Mistatin, mas não estava surtindo efeito. Tentei o modo natural lavando a boquinha dela com bicarbonato de sódio e também não houve melhoras.

Comprei, então, nistatina na versão genérico e em três dias desapareceu quase tudo! Lembre-se de limpar a boca da neném a cada fim de mamada (eu limpo até quando ela gorfa), porque fungos também gostam de leite. Quando digo limpar é introduzir uma gaze molhada de água dentro da boca da criança e passar pelos cantos, gengiva, céu da boca e linguinha.

Rachaduras
Testei duas pomadas de lanolina, mas nenhuma foi tão rápido na cicatrização como meu próprio leite. Toda vez após dar de mamar a seu filho, tire umas gotinhas do seu leite e passe nos mamilos. Aguarde secar ao ar livre.

Amamentação:
Pega
Como dizem, amamentar não doí. E realmente é verdade. Se está doendo em você, é porque seu bebê está abocanhando de maneira incorreta. Veja vídeos no youtube sobre isso e leia bastante que vai te ajudar. Após aprender, insista para que seu filho aprenda também. Se ele pegou errado, coloque o dedinho na boca dele para tirá-la do mamilo sem machucá-lo e tente novamente até dar certo. 

Posição
Deixe seu filho o mais inclinado possível, assim, a possibilidade de ele engasgar é menor e engolir ar também. Aliás, você já bebeu algo deitada? Não é ruim? Para o bebê também deve ser!

Eu não conseguia deixar a minha filha mais retinha com a almofada de amamentação que comprei. Foi mais prático utilizar almofadas comuns como apoio atrás do braço na hora de amamentar. 

Arroto
A cada fase da minha filha, eu tinha um método diferente de fazê-la arrotar mais rápido, mas a posição nunca mudou: ela reta, peito contra o meu e eu dando batidinhas nas costas.

Nas primeiras semanas de vida dela, ela soltava apenas um arroto. Já a partir da quarta semana, como o consumo aumentou, ela passou arrotar mais, cerca de quatro arrotos.

É importante ficar com ela 30 minutinhos na posição de arroto, pois é perigoso colocá-la deitada - ela pode acabar se engasgando se gorfar.

Maternidade real

Faltam apenas um dia para a Luna completar dois meses de vida fora da barriga.

Assim que ela nasceu, parecia que eu estava sonhando. Foi tudo tão surreal que quando ficava sozinha com ela na hora de amamentar, não me aguentava e chorava de felicidade.

Mas a partir da segunda semana, meus seios começaram a doer e meu corpo ficou febril. O médico diagnosticou como mastite e me orientou a fazer massagem e tirar leite diariamente. Depois de duas horas amamentando, eu sentava em uma cadeira e tirava leite por mais duas horas. Quando terminava, tomava uma banho e deitava na cama. Cerca de dez minutos depois, a neném acordava e começava tudo de novo.

Eu chorava pois era muito cansativo cuidar da neném e de mim. Mas esse foi apenas o início dos problemas. Na terceira semana, minha filha passou a dormir muito pouco durante o dia (meia-hora, no máximo). Só chorava. Ficava no meu colo o dia todo assim, tadinha. Achávamos que era cólica e fui radical na minha alimentação. Cortei tudo que havia lido que poderia fazer mal a ela, até mesmo alho e cebola do arroz e das misturas, mas não adiantou nada. As supostas cólicas continuaram e sabe aquele choro silencioso que eles fazem que cortam nosso coração? Ela só fazia isso o tempo todo!

A noite, ela conseguia dormir bem, mas eu não. Acordava na madrugada com a blusa encharcada e com os peitos doloridos. Depois de tirar leite, tomava banho e voltava a dormir, mas não por muito tempo, pois já era hora da neném acordar. Nesse período tive outra mastite.

No início do segundo mês, apesar de parecer que eu tinha muito leite, o pediatra disse que a Luna não estava engordando o suficiente. Ele não soube explicar bem o motivo. Disse que ela poderia não estar sugando bem por dormir durante as mamadas.

Passamos então a complementar a alimentação dela com leite artificial e os choros cessaram. Pela primeira vez eu vi minha filha acordada com o rosto sereno, tranquila. Percebi que ela chorava antes porque tinha fome e não cólica. Aquilo me desmoronou. Me senti a pior mãe do mundo.

Para agravar a situação, a Luna pegou sapinho na boca e eu nos mamilos. Meus peitos ficaram irreconhecíveis, com uma aparência horrível e as rachaduras que surgiram durante a amamentação não cicatrizavam porque o fungo não deixava. O pior é que precisei ir em três médicos até diagnosticarem o que era, assim, quando comecei o tratamento, o fungo já havia generalizado.

O tratamento consistia em passar um remédio líquido nos meus mamilos e deixá-los expostos quase o dia todo para não ficarem úmidos. Tinha também que dar banho de sol neles no mínimo duas vezes ao dia. Ou seja, além de cuidar da neném, tirar leite, cuidar da cicatrização da minha cirurgia (eu tinha que tomar três banhos ao dia e passar álcool e spray nela), agora eu precisava cuidar também dos meus seios.

Que horas eu descansava? A verdade é que eu não descansava.  

O que aconteceu em seguida foi o esperado: depressão pós-parto. Fiquei desmotivada em dar o peito e passei apenas a alimentar a neném com o leite que eu tirava na bombinha. Chorava muito nessas horas.

Quando o Allan voltou a trabalhar, eu tive que cuidar da Luna sozinha. Foi aí que a bolha explodiu. 
Minha ginecologista percebeu meu estado e alertou o Allan que eu poderia estar com depressão. Conversamos e relatei a ele que não suportava mais tirar leite da bombinha e também na possibilidade de voltar a amamentar (tinha medo de pegar novamente sapinho no peito, pois ele continuava firme e forte na boquinha da minha neném).

Ele ouviu e disse que a decisão era minha. Eu não queria ouvir aquilo. Queria que ele apenas me confortasse e falasse que se era para eu ficar bem, ele apoiaria. Que a decisão fosse nossa... Fiquei mais triste ainda, me senti mais sozinha do que nunca, mas mantive a minha decisão.

Foi uma fase muito difícil. Tudo isso me assombrou por várias semanas. Não tive coragem de contar a ninguém que eu deixei de amamentar por vontade própria. Tinha medo de ser julgada. Mas tudo passou. Agora, graças a Deus, eu tenho tempo de descansar e psicológico para cuidar bem da minha filha.
   
Ser mãe voltou a ser prazeroso para mim desde então. Não da maneira sublime como na primeira semana, e muito menos o pesadelo das outras. Continuo tendo dores nas costas todo dia por ficar com ela no colo sim, continuo não tendo tempo para tomar um banho com tranquilidade ou comer mastigando bem, meus cabelos estão secos por falta de cuidados, não sei mais o que é um esmalte nas unhas, estou enorme de gorda... No entanto, eu sou capaz de lidar com isso. Está dentro das minhas limitações.

Passei por problemas sim com a chegada da minha filha, mas hoje estou bem. Quando dizem que a mãe teve depressão pós-parto, já acham que ela pode machucar a neném e isso não é verdade, não em todos os casos pelo menos. Mesmo com todos problemas, eu nunca tive pensamentos ruins em relação a ela, pelo contrário, ela eraa única coisa boa de tudo isso.

Essa semana, escutei o Allan falando que não tem pessoa melhor para cuidar da Luna do que eu. Isso aconteceu depois que os pais deles passarem três horas sozinhos com a neném para que fossemos ao cinema. Percebi que não preciso que alguém diga se eu sou uma boa mãe ou não porque eu sei que sou toda vez que minha filha linda sorri pra mim. O sorriso banguela mais lindo desse mundo!