terça-feira, 4 de julho de 2017

Maternidade real

Faltam apenas um dia para a Luna completar dois meses de vida fora da barriga. Assim que ela nasceu, foi tudo tão surreal. Quando ficava sozinha para amamentá-la, não me continha e chorava de felicidade. Todos os meu temores ficaram para trás. Eu tinha acabado de dar a luz a uma garotinha linda e com saúde! Aquilo que eu mais pedi para Deus!

Mas a partir da segunda semana, a alegria foi esmagada por uma correnteza de problemas. Meus seios começaram a doer, meu corpo a ficar febril. O médico disse que eu estava com mastite -  inflamação por causa do acúmulo de leite- e me orientou a fazer massagem antes de cada mamada.

Minha vida se tornou uma rotina difícil de explicar. Meus dias eram longos e ao mesmo tempo muito curtos. As horas passavam e não passavam. Depois de passar duas horas amamentando a Luna, eu sentava em uma cadeira e tirava leite por mais duas horas para não empedrarem. Quando enfim conseguia encher um potinho de leite, ia para o banheiro, tomava uma ducha e deitava na cama. Mal encostava a cabeça no travesseiro e a neném acordava. Daí começava tudo de novo: dar de mama, tirar leite, banho, dar de mamar, tirar leite, banho...Eu não conseguia descansar.

Toda vez que chegava a hora de tirar o leite, eu chorava. Mesmo usando a maquininha elétrica, demorava para encher o potinho e eu isso me deixa exausta fisicamente e psicologicamente.

E os problemas só aumentavam. Quando chegamos na terceira semana, minha filha passou a dormir pouco durante o dia (meia-hora, no máximo). Ela só chorava. Ficava no meu colo o dia todo e nunca quietinha. Só se calava quando ia mamar ou quando dormia.

Achávamos que era cólica e fui radical na minha alimentação. Cortei tudo que havia lido que poderia fazer mal a ela, até mesmo alho e cebola, mas não adiantou nada. As supostas cólicas continuaram e aquele choro silencioso, onde o bebê abre a boca, fica com o rostinho todo vermelho e demorava para sair o som? Ela chorava assim o tempo todo!

A noite, ela conseguia dormir bem, mas eu não. Acordava na madrugada com a blusa toda encharcada e com os peitos muito duros. Depois de tirar leite, tomava banho e voltava a dormir, mas não por muito tempo, pois a neném logo acordava. Nesse período, tive outra mastite...

Não sei como, mas consegui chegar ao segundo mês. Na volta ao pediatra, o médico pesou a Luna e disse que ela não estava engordando o suficiente e que teríamos que complementar a alimentação dela com leite artificial.

Fiquei muito triste e não saia da minha cabeça que aqueles choros incessantes não era de cólica, e sim fome. Passamos a dar Aptamil para ela depois de dar o peito. Na primeira vez que demos, deparamos com uma Luna que nunca havíamos visto: acordada com o rosto sereno. Era fome mesmo, percebi. Aquilo me desmoronou! Me senti a pior mãe do mundo...

A Luna parou com as crises de choro, porém, pegou sapinho na boca e eu nos mamilos. Apesar de algumas crianças diminuírem o apetite quando estão com candidíase oral, isso não aconteceu com ela, ufa. Se não fosse pelos pontinhos brancos na boca, ninguém desconfiaria que estava com algum problema.

Já eu, passei a sentir dores muito fortes no seio durante as mamadas. O fungo não deixava cicatrizar as fissuras que surgiam. E a aparência dos meus peitos então... Irreconhecíveis! Todo avermelhado, sensível, cheio de feridas e bolinhas. Desconfiei na hora que era sapinho, mas precisei ir em três médicos até confirmar.

Após ser diagnosticada, passei a usar um remédio líquido nos mamilos. Tinha também que dar banho de sol neles duas vezes ao dia e deixá-los o máximo de tempo expostos para que não ficassem úmidos. Ou seja, além de cuidar da neném, tirar leite, cuidar da cicatrização da minha cirurgia (eu tinha que tomar três banhos ao dia e passar álcool e spray nela), agora eu precisava cuidar também dos meus seios.

Que horas eu descansava? Se antes era alguns minutos, agora nem isso eu tinha...

O que aconteceu em seguida foi o esperado: depressão pós-parto. Fiquei desmotivada em dar o peito e passei apenas a alimentar a neném com o leite que eu tirava na bombinha, além do artificial. Chorava muito. Todo dia eu chorava.

Quando o Allan voltou a trabalhar, passei a cuidar da Luna sozinha. Foi aí que a bolha explodiu. 
Minha ginecologista percebeu meu estado e alertou o Allan que eu poderia estar com depressão. Conversamos e relatei a ele que não suportava mais tirar leite da bombinha e também na possibilidade de voltar a amamentar (tinha medo de pegar novamente sapinho no peito, pois o fungo continuava firme e forte na boquinha da Luna).

Ele ouviu e disse que era uma decisão minha. Eu não queria que ele falasse aquilo. Queria que me confortasse e dissesse que, se era para eu ficar bem, ele apoiaria. Que a decisão fosse nossa. Fiquei mais triste ainda, me senti mais sozinha do que nunca, mas eu não poderia voltar para aquele pesadelo. Estava além das minhas capacidades...

Foi uma fase muito difícil. Tudo isso me assombrou por várias semanas. Não tive vontade de contar a ninguém que eu deixei de amamentar por "vontade própria". Tinha medo de ser julgada. A gente só vê mães postando fotos amamentando e dizendo com a boca cheia que a alimentação do filho é exclusiva e como isso se trata de um ato de amor... Me sentia derrotada. Me questionava várias vezes o porquê de eu não ser uma mãe "tão boa" como elas eram.

Mas tudo isso passou. Hoje, tenho certeza, que fiz a melhor escolha para mim e para minha filha, pois passei a tempo de descansar e psicológico para cuidar bem dela.

Ser mãe voltou a ser prazeroso para mim desde então. Não da maneira sublime como na primeira semana, e muito menos o tormento das outras. Continuo tendo dores nas costas todo santo dia por ficar com ela no colo, continuo não tendo tempo para tomar um banho com tranquilidade ou comer mastigando no tempo adequado, meus cabelos estão secos por falta de cuidados, estou enorme de gorda... No entanto, sou capaz de lidar com isso. Está dentro das minhas limitações.

Percebi que não preciso que alguém me diga se eu sou uma boa mãe ou não. Tenho consciência disso toda toda vez que minha filha sorri pra mim. O sorriso banguela mais lindo desse mundo!

Para você que talvez esteja passando por momentos parecidos, força! Siga o seu coração! Dane-se o mundo. Cuide do seu ninho da maneira que achar melhor. 

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Algumas linhas sobre meu trabalho

Quando entrei no veículo de comunicação em que eu trabalho, a coisa mais difícil foi me adaptar e pegar a linha editorial do site. Depois de meses pensando em desistir, indo e voltando do serviço desanimada, finalmente entrei nos trilhos e hoje, mal me lembro dessa fase problemática.

Gosto muito do que faço, das pessoas com quem trabalho e tenho dificuldades de me imaginar em outra profissão. Porém, não descarto a possibilidade de sair de lá.

Meu salário é vergonhoso e já deixaram claro em mais de uma oportunidade que não há perspectiva de aumento. Sinceramente, se não fosse pelo Allan eu não conseguiria sobreviver com o que ganho.

O pior é que o lugar onde eu trabalho é melhor lugar da cidade. Nos outros veículos, os direitos trabalhistas são extremamente desrespeitados. Conheci uma menina que trabalhava em troca de roupas...

Não sei o que fazer quanto a isso. Pode ser que durante os meses de licença em que estarei em casa  consiga pensar em uma alternativa.

terça-feira, 2 de maio de 2017

5 anos depois

"Cresci numa cidade pequena
E quando a chuva caía
Eu ficava na minha janela
Sonhando com o que poderia ser
E se eu terminaria feliz"


Faz cinco anos desde que sai da casa dos meus pais. Parece pouco tempo e, ainda assim, uma eternidade. Não tem um dia que eu não pense naquela época, nos meus pais, na minha irmã, nos meus avós, e não sinta saudades... Minha mãe estava certa quando dizia para eu não ter pressa de crescer. A melhor fase da vida, sem dúvidas, é quando você é criança.

Aos 17 anos, sai do aconchego, das coisas que me eram familiares, e fui para a cidade grande estudar. Morei com uma amiga e juntas aprendemos a caminhar com as próprias pernas. Quatro anos depois, quando terminei a graduação, fui para outro estado bem longe das minhas raízes e de rostos conhecidos. Não me arrependo das minhas escolhas. Passei a dar mais valor nas coisas que eu tinha e lutar pelas que ainda não havia alcançado.

Como antes, não sei ainda o que o futuro me reserva e continuo olhando para a janela em dias chuvosos pensando nele. Se eu sou feliz depois desses cinco anos fora do ninho? Sim, porque mesmo quando estou trilhando na escuridão, sinto a mão da minha família comigo e atravesso sorrindo.

domingo, 16 de abril de 2017

Ansiedade

É de conhecimento universal que grávida tem muito sono, mais do que uma pessoa comum. Durante meus sete meses de gestação, dormi umas 13h por dia. Sério. Isso realmente acontecia.

Mas nesse oitavo mês, estou tão ansiosa pelo nascimento da neném que mal consigo relaxar. Essa noite, por exemplo, tive três sonhos, cada um com uma versão de como seria o dia do meu parto. Os dois primeiros foi um pesadelo e mesmo o terceiro, onde tudo dá certo no final, foi uma tortura, pois pareceu muito real e isso me assustou muito.

Nesse finzinho de gestação, sinto um medo danado de que algo dê errado, principalmente por negligência minha. Quero que chegue logo o dia em que a Luna estará em meus braços. Eu pegando suas mãozinhas e pezinhos sem que exista uma barreira entre nós.

Amo tanto você, filha, que tenho medo de te perder antes mesmo de te conhecer.